Acionistas vão avaliar venda ou associação para a Paranapanema

Os maiores acionistas da Paranapanema, Previ, BNDESPar e Petros, estão dispostos a vender o controle da companhia. Não há um acordo de acionistas que estabeleça um grupo de controle formal da empresa, mas a intenção seria vender as participações em bloco para conseguir um valor mais alto. As fundações e o BNDES contrataram o banco Itaú BBA para procurar interessados na empresa, agora saneada financeiramente.

Fontes próximas afirmam que os fundos de pensão consideram que a participação na Paranapanema, refinadora de cobre eletrolítico e produtora de semimanufaturados de cobre, não é estratégica como sua participação na Vale, por exemplo. "Estamos contratando um banco para ver qual é a melhor alternativa para este ativo, se é a venda de controle ou a possibilidade de encontrar um sócio estratégico", afirma o representante de uma fundação. Os principais acionistas são todos financeiros e não têm interesse estratégico no negócio. Até agora, entretanto, não há nada em negociação com interessados. A Previ é a maior acionista, com 24% do capital, seguida pelo braço de participações do BNDES, com 17%, e Petros, com 12%. O empresário Silvio Tini tem 8% e o fundo Sistel, 4,4%.

No porte atual, e sem uma mina, os acionistas consideram que a Paranapanema é pequena demais para ser uma "smelter" (fundição de cobre), que consiga negociar bem com fornecedores (mineradoras de concentrado de cobre), e não é um ativo estratégico em mineração. Muitos dos maiores sócios hoje aumentaram suas participações em sucessivas reestruturações financeiras da companhia.

Um dos grupos que poderá ser contatado é o alemão Aurubis, com o qual existe contato há algum tempo. Entretanto, os acionistas já sabem que o Aurubis – que produz cinco vezes mais que a Paranapanema e fatura mais de € 6 bilhões ao ano – não tem interesse no controle da empresa, mas apenas numa participação minoritária. Consultada, a chefe da área de comunicação da Aurubis, Michaela Hessling, afirmou que a empresa alemã não fez nenhuma oferta aos acionistas e não foi procurada pelo Itaú BBA sobre o assunto. Procurados pelo Valor, Previ, Petros, Sistel, Tini e Itaú BBA preferiram não comentar.

Com metalurgia na Bahia, em Dias D”Ávila, apta a fazer 240 mil toneladas por ano, e unidades de fabricação de laminados, tubos, conexões e outros itens em Santo André (SP) e Serra (ES), a Paranapanema teve receita líquida de R$ 2,5 bilhões no ano passado e lucro líquido de R$ 194 milhões. Saneada financeiramente, no fim de março a dívida líquida da companhia era negativa em R$ 213 milhões. No momento, a empresa tem em curso um plano de investimentos para elevar a capacidade e modernização de R$ 500 milhões até 2013.

Procurada, a direção da Paranapanema, comandada por Luiz Antônio Ferraz Júnior, que coordenou o processo de reestruturação da empresa, informou que não iria se manifestar sobre o assunto e que com a Aurubis mantém-se apenas uma relação comercial.

(Tatiana Bautzer | Valor)
 

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