Algar planeja investir R$ 1,5 bi até 2014

Quando o jovem Alexandrino Garcia chegou ao Brasil com sua família, em 1919, trazia de Portugal muitos sonhos. Mas no duro início aqui como servente de pedreiro, ferreiro e mecânico, talvez não imaginasse que estava construindo em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, os fundamentos de um grupo que hoje emprega 17 mil pessoas em várias partes do país. Em sua escalada, tornou-se cerealista, fundou uma companhia telefônica, a atual CTBC, e expandiu os negócios para diversas áreas reunidas sob o grupo Algar, que alcançou faturamento de R$ 3,2 bilhões em 2009, com meta de crescimento de 10% este ano. As unidades de tecnologia da informação e telecomunicações representam 51% da receita operacional líquida, de R$ 2,7 bilhões. Agora, o grupo se prepara para uma nova fase de expansão em vários segmentos, com investimento estimado em R$ 1,5 bilhão até 2014.

O ano passado começou conturbado para os negócios, reconhece o presidente do grupo, Luiz Alexandre Garcia, de 45 anos, neto do jovem imigrante e há quatro anos substituindo no comando seu pai Luiz Alberto Garcia. Para contornar os problemas, o empresário fez uma forte reestruturação de custos e contenção de investimentos. A sorte, segundo ele, é que não houve crise de demanda nas unidades de telecomunicações e agronegócios. Com o saneamento, os investimentos foram retomados ao longo do ano, atingindo R$ 203 milhões em 2009. A receita cresceu 9%, com lucro líquido recorde de R$ 195 milhões. Para 2010, o investimento previsto é de R$ 370 milhões, o que deixa o empresário mais tranquilo para conduzir os planos de expansão. A meta é dobrar o lucro líquido atual no prazo de cinco anos.

Um dos principais focos de investimento é o setor de telecomunicações. Concentrada no Sudeste, onde está o principal tráfego da empresa, a CTBC atua em Minas (área de concessão), Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Rio, Curitiba, Rio Grande do Sul e Maranhão. No mercado de varejo, em Minas, a empresa oferece pacotes completos de serviços. Fora, onde tem autorização, vende apenas voz sobre IP (protocolo de internet) e banda larga no varejo.

 
 
 
A cobertura da rede em Minas está disponível a 2 milhões de habitantes, dos quais 700 mil são clientes residenciais, com ofertas combinadas de telefonia fixa, móvel, banda larga e TV por assinatura via satélite (tecnologia Direct-To-Home ou DTH). Ao todo, a CTBC tem 1,8 milhão de clientes de todas as áreas no Estado. O novo serviço de TV via satélite foi lançado na semana passada, com investimento de R$ 1,6 milhão, somando-se ao de televisão por cabo, disponível apenas em Uberlândia.

"Escolhemos expandir por satélite pela rapidez", explica o presidente do grupo. O serviço foi ativado simultaneamente em 87 cidades de Minas, mas dentro de três anos deverá ser oferecido em todo o Brasil, como complemento aos demais produtos. A assinatura de TV não será vendida separadamente. "Percebemos que o cliente valoriza muito os serviços integrados", diz o executivo.

Entretanto, a CTBC não está sozinha no conteúdo televisivo. Em sua área de atuação, terá que enfrentar a Net com pacotes compostos por TV, banda larga e telefonia fixa por cabo em algumas cidades, e a Oi, mais pulverizada, também com tecnologia via satélite em seus pacotes, além de outras teles.

A experiência com satélite não é nova para a CTBC, que estreou com essa tecnologia numa parceria com a Sky, ainda em vigor. A novidade em sua proposta direta é o foco nos públicos C e D, ao contrário da Sky, mais voltada a clientes de maior poder aquisitivo. A operadora mineira deu a largada no serviço com quatro planos, a partir de R$ 39,90, que incluem TV paga, telefonia fixa e banda larga.

Luiz Alexandre diz que também está interessado em entrar no negócio de operadora móvel de rede virtual (MVNO, na sigla em inglês), tão logo o serviço seja regulamentado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A CTBC poderá tanto fazer parceria com empresas interessadas em usar sua infraestrutura, quanto contratar a rede de outras teles para expandir sua atuação. Neste caso, quer levar serviços móveis somente para clientes empresariais. Os usuários residenciais são atendidos com mobilidade na área de concessão, em Minas Gerais.

Fora do mercado mineiro, tecnologia e telecomunicações representam 35% da receita da empresa, com crescimento anual médio de 20%.

A CTBC tem uma rede de transmissão óptica (backbone) de 11 mil quilômetros, mais anéis metropolitanos em outras cidades, como 511 quilômetros de rede em São Paulo.

(Ivone Santana | Valor)
 

 

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