Basf planeja nova fábrica de tintas e quer dobrar fatia em área química

A Basf decidiu elevar suas apostas no Brasil, considerado entre os mercados emergentes um dos com maior potencial de crescimento. Os investimentos da companhia no país deverão ficar em € 250 milhões, entre 2010 e 2014, disse ao Valor Alfred Hackenberger, presidente do grupo para Brasil e América do Sul. "Temos planos para construir uma nova fábrica de tintas em Guaratinguetá (SP)."

O mercado de tintas é um dos mais importantes para o grupo alemão no Brasil. Dona da marca Suvinil, líder de mercado, a Basf também investirá para aumentar a capacidade de produção de sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP) em 30%, alcançando a capacidade definitiva nessa unidade. A estabilidade econômica, com maior poder de renda da população, tem elevado o consumo de tintas no país. Em avaliação pela matriz, a futura fábrica, a ser instalada no complexo industrial da empresa no interior paulista, tem aporte estimado em US$ 30 milhões.

"Nos últimos anos, os investimentos da empresa no Brasil foram da ordem de € 200 milhões (por quadriênio)." Os segmentos de tintas e defensivos agrícolas respondem por mais da metade da receita da companhia no país. Agora, a empresa quer dobrar a participação na área química no mercado brasileiro, que responde por 5% da receita. No mundo, essa área representa 15% do total. Essa divisão tem como portfólio químicos básicos, adesivos, solventes, plastificantes e poliuretanos.

Com receita global de € 50,7 bilhões em 2009, a América do Sul registrou receita de€ 3 bilhões, dos quais € 1,93 bilhão no Brasil. A crise global afetou os negócios do grupo, que apresentou no ano passado forte queda de 18,6% nas vendas sobre 2008, mas os países emergentes, entre eles o Brasil e os asiáticos, têm dado sustentação à companhia pelo mundo. A área agrícola viveu seus melhores anos em 2008 e 2009. "Não foram tão afetados pela crise como outros segmentos." A Europa, com forte peso nas vendas da múlti, ainda se encontra em recuperação e enfrenta nova crise. A Basf tem na exportação um forte canal de venda e a Ásia é um dos principais destinos de sua produção.

Apesar da crise, o grupo anunciou no ano passado a construção de uma fábrica de metilato de sódio em Guaratinguetá. Esse produto é um catalisador para a produção de biodiesel, segmento no qual a Basf quer crescer. Essa será a segunda unidade de metilato do grupo no mundo – a primeira fica na Alemanha. Essa fábrica terá capacidade de 60 mil toneladas/ano e está prevista para entrar em operação no segundo semestre de 2011. A empresa já atende de 40% a 50% desse mercado com material que importa da Alemanha – a meta é atingir 65% do mercado.

Hackenberger conhece bem o mercado brasileiro e está confiante. O executivo alemão viveu por nove anos no país, de 1986 a 1995. Voltou há dois meses com novas funções e otimista em relação ao cenário macroeconômico, muito diferente do vivenciado por ele no passado, quando a inflação alta e instabilidade da moeda não permitiam projeções de investimentos de longo prazo para o Brasil. "Hoje, a expansão da economia é sustentável e projetamos crescimento médio de 8% ao ano para os próximos dez anos, 1,5 ponto percentual acima do previsto para o setor químico."

(Mônica Scaramuzzo e Ivo Ribeiro | Valor)
 

 

 

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