Estudo aponta potencial de fusões e aquisições no mercado de cerveja

SÃO PAULO – O mercado brasileiro de cervejas se mostra interessante para aquisições de empresas por grupos estrangeiros. Schincariol e Petrópolis seriam as duas companhias mais atraentes para uma aquisição ou fusão. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela consultoria Lafis sobre o segmento no Brasil.

“Dos principais mercados emergentes, o Brasil é a região onde o setor apresenta maior potencial de crescimento”, afirma o estudo. Dada a estagnação das economias maduras, a demanda crescente dos países emergentes tem merecido a atenção das companhias estrangeiras e, dentro dessas, o Brasil é uma das mais promissoras, uma vez que a Índia e a China possuem restrições culturais ao consumo de bebidas alcoólicas.

Dentro de um mercado bastante concentrado – 68% estão nas maõs da Ambev, de acordo com a Nielsen – os alvos mais atraentes para os investidores estrangeiros (dentro do ramo das cervejarias tradicionais), segundo a consultoria, seriam a Schincariol e a Petrópolis.

A Schincariol – que tem em seu portfólio as marcas Nova Schin, Devassa, Glacial, Cintra, Primus, NS2 e Nobel – se apresenta como uma boa oportunidade de investimento devido à sua ampla atuação no território nacional e expansão na América Latina.

A liderança da companhia na região Nordeste, que tem sido vista com alto potencial de crescimento, também é outro ponto de atração da Schincariol. O estudo cita ainda o fato de a empresa não ter obtido ganhos de market share nos últimos anos, mantendo-se na casa de 12%, o que poderia abrir um espaço para uma revisão estratégica do seu posicionamento do mercado.

“Mas a Schincariol é familiar e está se profissionalizando. Ela não mostra interesse em ser comprada. A empresa é atraente, mas não enxergamos como algo próximo a possibilidade de um grande player estrangeiro adquiri-la”, pondera a analista setorial Júlia Perez, responsável pelo estudo.

A Petrópolis – que tem as marcas Crystal, Lokal, Itaipava, TNT, Black Princess e Petra – por outro lado, se apresenta como uma alternativa, mas não tão forte, segundo o estudo. Apesar de ter uma participação de mercado semelhante à da Schincariol, de 10%, a distribuição da empresa está centrada apenas nas regiões Sudeste e Centro-oeste o que dificultaria a conquista do mercado nacional pela estrangeira.

O estudo destaca ainda a categoria de cervejas premium como uma possível porta de entrada de empresas estrangeiras no país. Neste sentido, o segmento das microcervejarias seria atraente por estar posicionado no público que busca diferenciação do produto e menos preocupado com preço.

“Essa pode ser uma forma de as empresas estrangeiras começarem a entender melhor o mercado brasileiro, como um todo. Esse segmento tem alto potencial de crescimento com o aumento da massa salarial do brasileiro e a sofisticação do consumo”, afirma a analista.

(Vanessa Dezem | Valor)

 

 

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