Fundo compra fatia de 40% da Amyris Brasil

A gestora de fundos de private equity Stratus está investindo aproximadamente R$ 100 milhões para adquirir uma participação de 40% na Amyris Brasil, fabricante de combustíveis e materiais químicos renováveis controlada pela companhia americana Amyris Biotechnologies.

O aporte está sendo realizado por meio do fundo Cleantech, que aplicará R$ 10 milhões, e por outros três investidores individuais trazidos pela própria Stratus. Entre eles está o grupo pernambucano Cornélio Brennand, que tem negócios nas áreas de imóveis, energia e vidros. Os demais nomes de investidores são mantidos em sigilo.

De acordo com Álvaro Gonçalves, sócio da Stratus, o interesse dos novos acionistas está em participar do desenvolvimento de uma nova cadeia química a partir da cana-de-açúcar. Desde 2006, a Stratus compra participações em empresas de tecnologias limpas, como a Brazil Timber, de manejo florestal, e a Ecosorb, de socorro a acidentes ambientais.

"Enxergamos que, no futuro, existe a possibilidade de se criar algo a exemplo do que já existe hoje na petroquímica", diz ele. Entre os produtos que estão sendo criados pela Amyris estão o diesel, matérias-primas para sabão em pó e cosméticos, além de substitutos da borracha. O diesel da cana já está sendo testado, por exemplo, pela Mercedes-Benz, maior fabricante de caminhões e ônibus do país. A companhia aérea Azul, a GE e a Embraer também estão avaliando o uso de um combustível à base de cana.

Já para a americana Amyris, o aporte permitirá fabricar em escala industrial os produtos que ela desenvolveu. Entre os projetos em desenvolvimento estão, por exemplo, uma joint venture, na qual terá 40%, com o grupo São Martinho para produção de especialidades químicas, e a conversão tecnológica de unidades da Cosan, da Bunge e da Guarani.

De acordo com John Melo, presidente da Amyris Biotechnologies, até 2014, a Amyris pretende transformar em matérias-primas renováveis 2,4 milhões de toneladas de cana no Brasil. Hoje, a produção brasileira está restrita a uma planta piloto em Campinas (SP). O executivo – um português criado nos Estados Unidos – também concluiu que era mais fácil atrair sócios brasileiros para o negócio do que estrangeiros. "Quem é do Brasil enxerga mais facilmente o potencial da cana", avalia Melo.

Isso não impediu, porém, que a Amyris Biotechnologies fosse criada a partir do investimento de diversos fundos de private equity internacionais, como Texas Pacific Group, Kleiner Perkins Caufield and Byers e Khosla Ventures no fim de 2007. Mas, desde 2008, também há um sócio brasileiro na empresa americana, a Votorantim Novos Negócios.
 
(Carolina Mandl – Valor Econômico)

 

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