Fundo de Abilio vende R$ 1,5 bi em ações do Pão de Açúcar

O fundo Santa Rita, que reúne parcela importante dos ativos do empresário Abilio Diniz, vendeu 17,12 milhões de ações preferenciais (sem direito a voto) do GPA (Grupo Pão de Açúcar) por R$ 1,52 bilhão em leilão nesta sexta-feira (11) na Bovespa.

A BM&F Bovespa confirmou a informação e disse que os papéis foram comercializados por R$ 89 cada um.
 
A venda se insere na estratégia de diversificar a carteira de investimentos do empresário. Uma fonte que falou sob condição de anonimato à agência de notícias Reuters disse que o fundo Santa Rita, que é administrado pelo UBS, usará os recursos de venda dos papéis para comprar ações de outras empresas na Bolsa.
 
Às 17h02, a preferencial do Pão de Açúcar caía 3,1% na Bolsa brasileira, para R$ 89,11, a segunda maior queda do Ibovespa, principal índice de ações da Bovespa –que no mesmo horário tinha queda de 0,74%, para 61.219 pontos.
 
2ª VENDA

Com o impasse nas negociações entre Casino, controlador do GPA (Grupo Pão de Açúcar), e Abilio Diniz, presidente do conselho de administração do grupo e segundo maior acionista, o empresário decidiu reduzir sua participação na companhia, fundada por seu pai.
 
Em 28 de dezembro, o fundo Santa Rita anunciou a venda de 1,7 milhão de ações preferenciais do grupo entre os dias 19 e 24 por cerca de R$ 150 milhões.
 
Com as duas vendas, a participação de Abilio no total de ações preferenciais do Pão de Açúcar foi reduzida pela metade, para pouco mais de 10% dos papéis dessa classe, segundo a Reuters.
 
Somados, os papéis preferenciais negociados representam 78% dos repassados por Abilio ao fundo e 53% de todas as preferenciais que o empresário possui do Grupo Pão de Açúcar.
 
O empresário, que é presidente do conselho do GPA, possui também ações ordinárias da empresa dentro da Wilkes, holding de controle da varejista.
 
DIVERSIFICAÇÃO

Antes das transações, cerca de 70% do patrimônio de Abilio era representado pela participação no Pão de Açúcar. Como o controle da varejista foi transferido ao sócio francês Casino em junho do ano passado, fontes próximas ao empresário disseram que não fazia mais sentido ele ter um portfólio de investimentos tão concentrado na varejista.
 
Por isso, Abilio vendeu ao fundo Santa Rita, utilizado pelo Grupo Diniz para investimentos no mercado acionário desde 2007, parte das ações preferenciais do GPA detidas por sociedades controladas pelo Grupo Diniz –empresas Península, Onyx 2006 e Paic.
 
Segundo assessores do empresário, o objetivo foi profissionalizar a gestão do patrimônio e “diversificar o portfólio do grupo”. Foram transferidas 24,08 milhões das 35,6 milhões de ações preferenciais detidas pelas companhias controladas pelo Grupo Diniz.
 
DESAVENÇAS

Em junho de 2012, o empresário transferiu o controle da varejista fundada por seu pai ao sócio francês Casino, como previsto em acordo de acionistas.
 
Mas Abilio não tem uma relação harmoniosa com o Casino desde que, em meados de 2011, o empresário tentou unir as operações do Carrefour no Brasil ao Pão de Açúcar. O grupo francês acusou o então controlador da varejista brasileira de tentar minar o acordo de acionistas na Wilkes.
 
Na mais recente desavença, Abilio levou ao conselho de administração do grupo, em dezembro, a proposta de análise de migração da empresa para o Novo Mercado, ambiente que exige maior governança corporativa. O item foi rejeitado pela maioria dos conselheiros.
 
Na mesma reunião, foram eleitos os membros do recém-criado comitê de governança corporativa do Pão de Açúcar e Abilio ficou fora do grupo.
 
ARBITRAGEM

Ele entendia que deveria ter cadeira no comitê e questionou a competência definida para o órgão, de ser o elo entre a diretoria executiva e o conselho de administração. Para Abilio, essa é uma atribuição do próprio presidente do conselho.
 
Menos de duas semanas depois, Abilio abriu um procedimento arbitral contra o Casino. Um dos objetivos, segundo a assessoria do empresário, é que o grupo francês “se abstenha de praticar ações que violem o cargo de Abilio Diniz como presidente do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar”.
 
Desde antes de Abilio transferir o controle do Pão de Açúcar ao Casino, especula-se a respeito de uma possível saída do empresário da companhia com a ViaVarejo, unidade de eletroeletrônicos e comércio on-line do grupo.
 
Essa alternativa esfriou nos últimos meses, segundo fontes, e agora parece perder  força diante do movimento da venda parcial das ações de Abilio no grupo.

(Folha de São Paulo)

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