Fusão mantém porte do Itaú Unibanco

O Itaú Unibanco está prestes a protagonizar, pela primeira vez na história da fusão bancária brasileira, um resultado em que o todo não é muito menor que a soma das partes. Um ano depois da fusão, o processo de integração caminha depressa e pode chegar ao final de 2010 com mais de 90% concluídos – benchmarking até para os padrões internacionais, comemora o diretor executivo da área de pessoas da instituição, Ricardo Marino – e com boas perspectivas de manter o número de agências e alterar muito pouco o quadro de pessoal.

Promessa de primeira hora, já no anúncio da fusão, a manutenção do emprego e do número de agências vinha sendo olhada com ceticismo por quem está de fora, mas hoje parece próxima da realidade. Tanto que vem recebendo elogios até do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Ao contrário de episódios anteriores, essa fusão não resulta em demissão em massa nem fechamento de unidades, comenta Luís Cláudio Marcolino, presidente do sindicato. O sindicalista acredita que o Itaú Unibanco percebeu que qualquer redução poderia representar perda de território para a concorrência.

O próprio banco admite: ceder terreno está fora de cogitação em um momento de competição cada vez mais acirrada. Seria jogar fora parte do esforço que o transformou na maior instituição financeira do país – ou a segunda, depois que o Banco do Brasil retomou a ponta do ranking pelo critério de ativos.

Antes da compra do Banco Real pelo Santander e, principalmente, da união entre Itaú e Unibanco, as fusões ou aquisições bancárias costumavam desaguar num processo em que o comprador – ou instituição "mais forte", no caso de fusões – aproveitava o que de melhor havia no outro banco e descartava o restante. O Itaú fez isso muita vezes, principalmente com instituições estaduais adquiridas nos anos 80.

O foco da disputa mudou a partir da concentração do setor financeiro, do crescimento prolongado da economia e da era dos juros baixos. Com o emagrecimento da remuneração dos títulos públicos, os bancos brasileiros descobriram que além da cobrança de tarifas poderiam ganhar dinheiro também com venda de serviços e oferta de crédito. E ambos os segmentos requerem estrutura física e um bom número de profissionais capazes de oferecer, analisar e, eventualmente, cobrar os clientes.

O perfil do bancário mudou, comenta Marcolino. A comercialização de produtos como apólices de seguro, consórcios e cartões ganhou terreno. As receitas desses serviços cresceram muito de alguns anos para cá. Os bancários tornaram-se especialistas em uma série de produtos e serviços. Dispensá-los significa perder mão de obra qualificada e dar munição aos concorrentes, argumenta o presidente do sindicato.

O Itaú Unibanco parece disposto a trilhar esse caminho quando manifesta a intenção de manter a estrutura dos dois bancos somada. Não exatamente na sua totalidade. O enxugamento já vem sendo feito, com redução de pouco mais de 10% do quadro de funcionários na comparação com outubro de 2008, data da fusão. A diferença é que os cortes, cirúrgicos e pontuais, estão menos evidentes.

A ideia foi aproveitar a rotatividade natural no processo de ajuste. Somadas as duas bandeiras, o banco encerrou 2008 com algo próximo a 100 mil funcionários. O turnover normal, de cerca de 10%, eliminou perto de 10 mil funcionários ao longo de 2009. Ao mesmo tempo, o banco travou a porta de entrada. As poucas contratações ocorreram em casos excepcionais e para postos específicos, dos quais não era possível abrir mão.

Outra parcela do ajuste coube a um plano de incentivos para funcionários aposentados ou em vias de se aposentar. Dentre eles, quem quis deixar o emprego recebeu, segundo Marino, um pacote "generoso" de benefícios. Mais 1.500 saíram nessas condições.

De acordo com o diretor, esse ajuste já realizado colocou a instituição muito perto do que o banco considera ideal. Agora a tarefa é consolidar a integração e ajustar o quadro de pessoal às necessidades.

A parte mais difícil de adaptar são os chamados departamentos, áreas de suporte que não lidam diretamente com o público. Nelas a duplicidade se torna mais evidente. São duas estruturas para uma só empresa. Na avaliação do sindicato dos bancários, a sobreposição de pessoal é da ordem de 9%. Para cada cem empregados das duas bandeiras, há nove casos de gente fazendo o mesmo trabalho no Itaú e no Unibanco, o que a conclusão do processo de união tornará desnecessário. O banco diz que ainda estuda o que fazer com as equipes de sistemas, marketing e seções administrativas.

De acordo com Marino, os profissionais em cargos de gestão já estão integrados, o que representou a realocação de mais ou menos 2,3 mil pessoas do callcenter e do suporte financeiro, por exemplo. Na área de sistemas, encontra-se em desenvolvimento uma plataforma única. Em vez de integrar sistemas diferentes, as duas bandeiras passam a funcionar sobre um novo, que leva em conta o que de melhor havia em cada um dos anteriores.

O processo de remanejamento de pessoal tem se dado aos poucos, pelos casos mais simples. Vários funcionários já assumiram novas funções. Quem dá os números é o sindicato. Até o fim de novembro haviam ocorrido 3.398 transferências e outras 541 estavam em andamento. Desse total, 1.677 funcionários de departamentos foram enviados para as agências. O atendimento ao público, aliás, será o destino da maior parte do excedente nos departamentos. Já nas agências, não será possível efetuar cortes. No futuro próximo, o banco planeja contratar.

(Valor)

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