Fusões e aquisições devem ser ampliadas no Nordeste

O ritmo acelerado de crescimento econômico da Região é cada vez mais propício para a chegada de novas empresas e consequentes fusões e aquisições. Só neste primeiro semestre foram 433 operações em todo o Brasil.

Fusões e aquisições de empresas se tornarão cada vez mais frequentes no Nordeste. É o que aposta o executivo especialista na área, Guilherme Soárez, diretor associado da consultoria Deal Maker. Só neste primeiro semestre, o Ceará fechou 5 operações, volume que já é 62% do total de fusões e aquisições operadas em todo o ano de 2011. No Brasil, as 433 operações nos primeiros três meses do ano compõem número recorde.

Esses dados são da consultoria internacional KPMG e foram apresentados ontem por Soárez. Ele foi um dos palestrantes do projeto Café com Finanças, que discutiu o tema Fusões e Aquisições. Promovido pelo Instituto Fa7 e pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef-CE), o evento acontece uma vez por mês.

Das 817 fusões e aquisições no Brasil, em 2011, apenas 9% se concentraram no Nordeste. Desse percentual, 90% das operações foram realizadas na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. Os números podem não parecer otimistas, mas, para o diretor da Deal Maker, “o panorama para fusões e aquisições é muito favorável”, com a modernização da economia e a profissionalização de várias empresas.

“A tendência é de contínuo crescimento das fusões e aquisições, principalmente no Nordeste, que tem apresentado crescimento econômico maior que a média nacional”, diz. Prova disso é o Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará, que cresceu 3,4% neste primeiro trimestre, segundo o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). O Brasil, no mesmo período, teve crescimento de 0,8%.

“À medida que a economia cresce, e tem sustentação maior de empresas que crescem a reboque, busca-se oportunidades de continuar o crescimento, ou através de aquisições de novos produtos, entrando em novas regiões, ou consolidando os mercados já estabelecidos”, diz o especialista, relacionando crescimento econômico e aumento do número de fusões e aquisições.

Duas grandes operações no Estado este ano, por exemplo, foram a aquisição do Moinho Santa Lúcia pelo grupo M. Dias Branco; e a compra da Ypióca pela britânica Diageo, dona da marca de uísque Johnnie Walker. O principal interesse da Diageo era a rede de distribuição e penetração da Ypióca no Nordeste. A operação foi fechada em R$ 900 milhões.

Setores

No Nordeste, é o setor de varejo que puxa 20% das fusões e aquisições na região. Os setores de alimentos, bebidas, tecnologia da informação (TI), educação, energia e saúde despontam. “Fusões e aquisições na educação são uma tendência nacional, porque se quer mais alunos”, afirma o diretor geral da Faculdade Sete de Setembro (Fa7), Ednilton Soárez. Ele salienta, porém, que esse não é um caminho para a instituição dele. “A concorrência aumenta, mas nossa contrapartida é o investimento em qualidade e no aumento da quantidade de cursos e salas”, conta.

Fusões e aquisições na área da saúde já são mais raras, segundo o proprietário da Saúde Residence, Francisco Back. “Falta que o empresariado acorde e aprimore seus negócios, se profissionalize para ganhar mais mercados”, avalia. Ele diz que Fortaleza tem só 10% das internações domiciliares que tem Recife. “É muito mercado para conquistar, você não acha?”

ENTENDA A NOTÍCIA

À medida que o mercado se expande, aumenta o interesse de grandes empresas de conquistar mais consumidores nas áreas antes pouco exploradas, o que é facilitado pelas aquisições ou fusões

Saiba mais

Os seis primeiros meses do ano somaram 433 operações, 54 a mais que o resultado de igual período em 2011, com 379 transações, uma variação de 14,2%. As informações são da KPMG.

Um dos motivos foi o crescimento significativo da participação de estrangeiros nessas operações, diz o estudo.

Do total de operações, 225 envolveram empresas estrangeiras na ponta compradora, enquanto os brasileiros somaram 183 negócios.

Grande parte dessa expansão se deve também à correria no final de maio para anunciar operações às vésperas da reforma no sistema brasileiro de defesa da concorrência , que passa a incluir a análise prévia de determinadas transações.

Fusões e aquisições
 
7 Negócios que agitaram o mês de maio

1. Azul e Trip juntas

A holding Azul Trip nasceu com receita de R$ 4,2 bilhões e 15% do mercado de aviação comercial do País.

2. Diageo compra Ypióca

A operação foi fechada em R$ 900 milhões.

3. M. Dias Branco compra Moinho Santa Lúcia

Negócio fechado por R$ 90 milhões.

4. Banco BTG compra Leader

O banco BTG Pactual comprou 40% da rede varejista Leader. Operação fechada em R$ 665 milhões.
 
5. J&F compra a Delta

A J&F anunciou que assumiria a gestão da construtora Delta, mas a opção de compra será exercida, ou não, só após resultado das investigações.
 
6. Eike Batista

O bilionário comprou 50% do festival Rock in Rio, com investimento de US$ 350 milhões nos próximos 5 anos. Ele também vendeu 0,8% do grupo EBX para a GE.

7. FedEx compra Rapidão Cometa
 
A norte-americana FedEx fechou a compra da companhia brasileira de transporte e logística. A Cometa tem mais de 17 mil clientes no País.

(Luar Maria Brandão | O Povo)

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