Lupatech planeja ampliar presença em óleo e gás

Mesmo passando por um momento de restruturação, por causa das dificuldades financeiras enfrentadas desde 2008, a direção da Lupatech está otimista quanto ao futuro dos negócios. A principal aposta da empresa é a ampliação do portfólio na área de serviços para petróleo e gás com a incorporação da San Antonio Brasil (SABR). Até aqui, o foco era em produção de equipamentos para petróleo.
 
Em reunião com investidores e analistas realizada ontem, o presidente da Lupatech, Alexandre Monteiro, disse estimar que a SABR gere um aumento de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) da ordem de R$ 30 milhões nos 12 meses seguintes à conclusão da incorporação. O valor é quase metade do Ebitda da Lupatech em 2011, que foi de R$ 62,2 milhões.
 
A empresa avalia que o mercado de serviços para petróleo e gás no Brasil chegue a R$ 9 bilhões até 2017, dos quais projeta responder por 12% a 14% com a anexação. Atualmente, a SABR tem de 4% a 5% desse mercado, no qual a participação da Lupatech é mínima.
 
Com a expansão do mercado de petróleo e gás no país, o entendimento é que o nicho de serviços vai crescer rapidamente. "A gente acredita com muita ênfase que esse movimento [de incorporação da SABR] tem capacidade de fato de colocar a Lupatech em um novo patamar, com um ”offering” mais amplo e com mais capacidade de competir com as grandes empresas do setor", disse o presidente da companhia.
 
A incorporação da SABR foi anunciada junto com o projeto de recapitalização da empresa, no fim de 2011. Aprovado no último dia 4, o aumento de capital está em andamento e terá valor de até R$ 700 milhões (R$ 350 milhões garantidos por Petros, BNDESPar e GP Investimentos). A absorção da SABR ainda precisa ser aprovada em assembleia de acionistas.
 
O prazo máximo para a operação é outubro. A direção da Lupatech, no entanto, avalia que o processo será adiantado. Segundo o presidente, a SABR será integrada em dois meses e, em julho, as operações estarão unidas formalmente.
 
A SABR tem R$ 1,1 bilhão de pedidos em carteira. A subsidiária da San Antonio Internacional, que é controlada pela GP Investimentos, foi avaliada em R$ 150 milhões, sendo R$ 100 milhões em dívidas. O saldo de R$ 50 milhões será pago à GP em forma de ações da Lupatech, ao preço de R$ 4 (o mesmo preço fixado para o processo de recapitalização).
 
Apesar do otimismo, a direção da Lupatech ressaltou que irá seguir o caminho de disciplina para se recuperar. Na semana passada, foi eleito novo conselho de administração, agora com nove integrantes, dos quais cinco são independentes. Ronaldo Iabrudi Pereira, apontado como membro independente, assumiu a presidência. "Vamos continuar reforçando a estrutura de gestão, com investimento absolutamente disciplinado e seremos obstinados com a questão de performance das nossas operações", afirmou Monteiro.
 
A Lupatech fechou 2011 com patrimônio líquido negativo de R$ 43 milhões. No fim do ano, a empresa tinha R$ 24 milhões em caixa, frente a passivos de curto prazo que somavam R$ 380 milhões. Em abril, a empresa sofreu outro revés, o cancelamento de dois contratos de prestação de serviços para a Petrobras, que somavam US$ 779 milhões até 2015.

(Ana Fernandes | Valor)
 

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