Motorola prepara cisão da unidade celular

A Motorola planeja fazer uma injeção de capital substancial para manter sua deficitária divisão de telefones celulares competitiva antes de desmembrá-la numa nova empresa ano que vem.

De acordo com uma estrutura que começa a tomar forma, a Motorola planeja resgatar a maior parte de suas dívidas e transferir o grosso dos recursos restantes – mais ou menos de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões – à nova empresa, centrada na divisão de celular, disseram pessoas a par do assunto.

A companhia de Schaumburg, perto de Chicago, no Estado de Illinois, também pretende tirar da empresa de celulares todo o passivo previdenciário e a maioria das outras obrigações, o que ressalta os esforços que o conselho de administração está fazendo para garantir a viabilidade da divisão, o principal obstáculo para levar adiante os planos de dividir a empresa em duas.

Uma porta-voz da Motorola não quis comentar especificamente os planos da empresa nessa área . "Os dois presidentes-executivos compartilham uma visão e continuam trabalhando juntos e com suas respectivas equipes para posicionar cada um dos negócios para a independência e o sucesso."

A Motorola prepara sua cisão desde o início de 2008, sob pressão do investidor ativista Carl Icahn, que temia que os problemas na divisão de celular estivessem motivando os investidores a desvalorizar a empresa inteira.

A divisão do negócio de celulares perdeu cerca de US$ 5 bilhões nos últimos três anos, mas a confiança nela melhorou depois que o copresidente-executivo, Sanjay Jha, lançou uma série de smartphones, como o Milestone (conhecido nos Estados Unidos como Droid), que devem ajudar a divisão a sair do vermelho no fim do ano. A operadora americana de celular Verizon Wireless planeja apresentar o próximo modelo importante da Motorola, batizado de Droid X, na semana que vem.

Pelo plano atual, a Motorola vai desmembrar a divisão de celulares e a lucrativa divisão de caixas conversoras para TV a cabo numa nova empresa chamada Motorola Mobility. Como a empresa estaria livre de dívida e com o caixa recheado, estaria melhor posicionada para fazer aquisições ou desenvolver novos modelos de telefone.

"O conselho não considera isso uma medida defensiva", disse uma pessoa a par da questão. "Será uma ofensiva."

A empresa que sobrar, a ser chamada Motorola Solutions, receberia pouco caixa e assumiria as obrigações previdenciárias e outros passivos, segundo pessoas a par da questão.

A unidade, que fabrica rádios de comunicação, leitores de código de barras e equipamentos para redes de telecomunicação, gera praticamente todo o caixa da Motorola. Essa divisão, comandada pelo copresidente-executivo Greg Brown divulgou receita de US$ 11,1 bilhões ano passado. A melhoria de seu desempenho tirou a empresa inteira do vermelho no primeiro trimestre deste ano.

Este mês, a Motorola aumentou para US$ 500 milhões o montante de dívidas que pretende resgatar numa oferta pública. É o primeiro passo de seu plano para quitar a maior parte de sua dívida de US$ 3,9 bilhões, segundo pessoas familiarizadas com a situação. Em 3 de abril, a Motorola tinha US$ 8,9 bilhões em caixa e investimentos.

A ideia é deixar as duas empresas menores com o balanço limpo para fazer aquisições ou serem compradas. Quitar as dívidas antes do desmembramento melhoraria a classificação de risco das novas empresas. "É bom para os credores se eles recomprarem as dívidas", disse Pin Zhao, analista da CreditSights. "Menos endividamento significa alavancagem menor, então o risco cai."

Os problemas persistentes na divisão de celulares forçaram a empresa a adiar os planos de se dividir. A Motorola, que chegou a fabricar um de cada cinco celulares vendidos no mundo, viu sua fatia do mercado cair para cerca de 3% desde o colapso das vendas do popular modelo V3, ou Razr.

À medida que sua escala diminuía, os prejuízos operacionais da Motorola se multiplicavam e chegaram a US$ 500 milhões em alguns trimestres, forçando a demissão de 15 mil pessoas na empresa inteira desde 2007. Jha conseguiu estabilizar os negócios se concentrando em smartphones com o sistema operacional Android, do Google , mas mesmo assim a divisão ainda deu prejuízo de US$ 192 milhões no último trimestre.

(Sara Silver e Anupreeta Das | Valor)

 

 

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