Santa Terezinha projeta investir R$ 385 milhões

MARINGÁ – O grupo sucroalcooleiro paranaense Usaçucar, conhecido como Santa Terezinha, planeja investir R$ 385 milhões em 2011 para expandir sua área agrícola, avançar na mecanização da colheita e ajustar processos industriais. A programação faz parte de um projeto que visa a alcançar, na safra 2012/13, todo o potencial produtivo que a estrutura atual da empresa permite. Especificamente na moagem, a meta é atingir 19 milhões de toneladas de cana por temporada.

A retomada dos investimentos da Santa Terezinha está relacionada ao elevado patamar dos preços do açúcar, produto que responde por 78% do mix do grupo e é o principal responsável pelo previsto incremento de 20% do faturamento neste ciclo 2010/11, para R$ 1,45 bilhão.

A moagem da safra atual nas oito unidades industriais do grupo, em fase final, deverá somar 16,1 milhões de toneladas de cana, ante projeção inicial de 16,5 milhões. A queda, explica Arno Silvestre Macagnan, diretor corporativo da empresa, remonta à safra passada, quando as chuvas deixaram como saldo muita cana no campo para processamento neste ano. "O resultado é que os custos de corte, carregamento, transporte e industrialização subiram, pois essa cana trouxe muita impureza do campo. Além disso, também tivemos uma estiagem prolongada, que fez cair a produtividade", diz o executivo.

A despeito das intempéries climáticas, explica Macagnan, a Santa Terezinha precisa ampliar sua área de cana e reinvestir nos canaviais para de fato conseguir atingir a meta de processar 19 milhões de toneladas por safra.

Após suspender todos os investimentos durante os ciclos 2008/09 e 2009/10, quando o crédito andou escasso, o grupo paranaense retomou em 2010 a aposta na área agrícola, e iniciou um programa de plantio que envolveu 42 mil hectares, entre renovação e ampliação de áreas de cana.

O plano prossegue em 2011, com o objetivo de atingir 56 mil hectares, diz Macagnan. "A nossa principal dificuldade vem sendo disputar a área com outras atividades, como soja e pecuária, cujas rentabilidades também estão altas ao produtor", diz o executivo sobre a escassez de terra para arrendamento. A cana, continua ele, está trazendo boa rentabilidade neste ano e, provavelmente, também no próximo. "Mas estamos falando de arrendar terra dentro do ciclo da cana, que é de cinco anos".

Mas ele está confiante de que até 2012 a empresa agregará de 30 mil a 40 mil hectares à sua área total de 245 mil hectares cultivados com cana-de-açúcar no norte do Paraná – com isso, o objetivo de 19 milhões de toneladas na moagem de cana estaria mais próximo.

Dos R$ 385 milhões previstos para investimentos em 2011, R$ 250 milhões deverão ser aplicados na área agrícola. Os outros R$ 135 milhões serão destinados para a compra de colheitadeiras e máquinas agrícolas e ajustes industriais, sobretudo nas duas usinas adquiridas nos últimos anos – Usaciga e Cocarol, ambas no Paraná.

Em 2010, o grupo comprou 14 colheitadeiras, o que lhe ajudou a elevar de 15% para 40% seu nível de mecanização. Para a temporada 2011/12, que começa entre março e abril do ano que vem, a empresa encomendou mais 18 unidades. "Está cada vez mais difícil encontrar mão de obra qualificada para colher cana, o que nos motiva a investir em mecanização apesar de não haver legislação no Paraná que obrigue a reduzir a queima".

Em 2011/12, o grupo espera processar apenas 16,4 milhões de toneladas de cana, uma vez que o investimento agrícola ainda não terá amadurecido. A produção de açúcar deve atingir 1,5 milhão de toneladas, e a de etanol, 550 milhões de litros.

(Fabiana Batista | Valor)

 
 
 
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