TIM fará aquisições para matriz

Depois de encolher suas operações em países da América Latina, saindo do Peru e Venezuela, e de malas prontas para deixar a Argentina, a Telecom Italia decidiu voltar a investir nesse mercado. A região estratégica para a empresa é a América do Sul e a plataforma para expansão será a TIM Brasil. A afirmação é do executivo-chefe da Telecom Italia, Franco Bernabè, que atribuiu a escolha da subsidiária pelo sucesso de sua operação no Brasil. No primeiro trimestre de 2010, a receita da TIM foi de € 1,39 bilhão, com crescimento de 31,2% em relação a igual período de 2009. A receita total em 2009 foi de R$ 13 bilhões. Em 2010, foi o melhor desempenho nos resultados do grupo nesse trimestre. Além disso, somente os negócios de mídia e da Olivetti apresentaram crescimento no período. Mídia evoluiu 11,8%, para € 57 milhões, enquanto a Olivetti aumentou 2,8%, para € 73 milhões. Mas, comparativamente, são negócios muito menores. A receita da operação na Itália caiu 7,1%, para € 4,97 bilhões no trimestre. Na telefonia fixa a receita diminuiu 4,9% e na TIM da Itália a queda foi de 7,4%.

O demonstrativo financeiro indica que a receita do Brasil em relação à da Itália aumenta cada vez mais. No primeiro trimestre de 2009, o valor alcançado no mercado brasileiro era 51,5% do obtido pela TIM em seu país de origem, enquanto no mesmo período de 2010 o índice chegou a 73%, com 42,4 milhões de usuários. São resultados assim que encorajam a controladora a apostar na subsidiária brasileira como seu motor de crescimento na América do Sul.

"A TIM é um componente muito importante para a estratégia mundial da Telecom Italia e também para o setor de telecomunicação no Brasil. Por isso, a Telecom Italia e a TIM decidiram concentrar sua estratégia em dois mercados: Itália e Brasil", afirmou Bernabè ao Valor, durante a primeira entrevista que concedeu a um jornal brasileiro no país. A visita do executivo coincidiu, segundo ele, com a vinda da comitiva que acompanhou o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, semana passada. O grupo se reuniu na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e também com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No encontro com o presidente Lula, Bernabè disse que reforçou o compromisso da Telecom Italia com o Brasil e relembrou os investimentos realizados no país: R$ 27 bilhões desde o início das operações em 1997 até agora, e mais R$ 7 bilhões a serem aplicados de 2010 a 2012 em infraestrutura, desenvolvimento em telecomunicações, melhoria da cobertura e tráfego de dados móvel.

O executivo lembra que a Telecom Italia teve operações importantes em quase toda a América Latina e considera que os países da região ainda apresentam grandes oportunidades em termos de expansão. "Achamos que o país onde fomos tratados com justiça, investimos muito dinheiro e fomos bem-sucedidos em integração com a economia é o Brasil", afirmou Bernabè. "O sucesso da operação brasileira pode ser a plataforma para expansão novamente para a América do Sul, quando houver condição e oportunidade."

A expansão para o exterior deverá ser programada após a consolidação da TIM com a Intelig, o que configura uma estratégia de longo prazo. No momento certo, a TIM fará o papel de compradora: "Se houver chance de criarmos valor para os acionistas, não limitaremos as oportunidades para crescer", garantiu o executivo-chefe. A regra vale também para o Brasil, onde a empresa italiana também tem uma estratégia expansionista. Indagado se a Nextel estaria na lista de compras, Bernabè sorriu e disse que não gostaria de comentar hipóteses. "Acreditamos que a TIM Brasil crescerá mais organicamente, sem aquisições. Mas se houver oportunidades que não vemos no momento, certamente vamos considerar", afirmou.

Na Argentina, a Telecom Italia está em fase final de venda de sua participação na Telecom Argentina. O processo foi lento e complexo e desgastou a companhia. "Se tivermos de deixar o país o faremos com grande pesar", argumentou. "Resgatamos a companhia (Telecom Argentina) de uma situação difícil e expandimos a operação. Não fomos tratados com justiça."

No Brasil, o cenário competitivo está confuso em decorrência da negociação que vem se arrastando há meses entre Telefónica de España e Portugal Telecom pelo controle total da Vivo. Qualquer que seja o desfecho da disputa entre portugueses e espanhóis, Bernabè diz acreditar que a TIM não será afetada, porque não entrará uma nova empresa no mercado. Mesmo que Telefónica ou Portugal Telecom negociem participação na Oi, o cenário não se altera, segundo o executivo: "A competição é feita entre as companhias e o que acontece no nível dos acionistas não afeta a competição."

A TIM é vista por fontes próximas aos controladores da Vivo como um ativo muito caro para a Portugal Telecom, mas não muito interessante para a Telefônica, por sua posição de mercado. Novamente sorridente, Bernabè retruca, diante do comentário, de que não há intenção de vender a TIM.

(Ivone Santana | Valor)
 

 

 

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