Com aporte de fundo, Anima quer ir às compras

Com o aporte de R$ 100 milhões concluído pela BR Investimentos, gestora de recursos do economista Paulo Guedes, na última sexta-feira, o Grupo Anima de Educação, de Minas Gerais, pretende montar uma nova estrutura organizacional com a compra de instituições de ensino. Ao contrário do que normalmente ocorre no setor de educação, o Anima não está priorizando aquisições de 100% do capital de faculdades. A ideia é integrá-las à holding com um misto de troca de ações e pagamento em dinheiro ao fundador, que passa a compor o conselho.

"Há muitas faculdades interessadas neste modelo porque o fundador muitas vezes está precisando de dinheiro, mas não quer se desfazer do negócio que criou. Ele vai para o conselho e uma equipe de profissionais de mercado assume a operação", disse Ryon Braga, sócio da Hoper, consultoria que está realizando um estudo com instituições de ensino e regiões que podem interessar ao grupo mineiro.

Entre as praças de interesse estão cinco cidades do interior de Minas Gerais. Nessas localidades, a meta é abrir unidades do Una, um dos três centros universitários do grupo com forte popularidade entre os mineiros. O Anima é também dono dos centros universitários Uni-BH e da Unimonte, localizado em Santos, no litoral paulista, e que tem como reitor Ozires Silva, ex- Embraer e Petrobras.

Outra estratégia prevista é a aquisição de faculdades em outras cidades do país. A ideia inicial é manter a marca da faculdade adquirida, caso ela tenha representatividade em sua respectiva região.

"Com a expansão queremos aumentar o número de alunos dos atuais 42 mil para 100 mil daqui cinco anos", disse Marcelo Battistella Bueno, diretor de novos negócios do Anima. O faturamento do grupo em 2011 foi de R$ 325 milhões e a meta este ano é fechar com receita de R$ 380 milhões.

Ainda, segundo Bueno, a ideia não é competir com Anhanguera e Estácio, que cobram uma mensalidade média de R$ 450. "Vamos atuar em outra faixa de público, que paga uma mensalidades na casa dos R$ 850", explicou.

A chegada da BR Investimentos abre uma nova etapa para o grupo mineiro criado há cerca de dez anos, mas que desde 2006 vem enfrentando um imbróglio com os sócios minoritários que detém uma participação de 37,2% na Una e na Unimonte. Os embates afastaram vários investidores. No ano passado, o IFC, braço para negócios privados do Banco Mundial, chegou a negociar um aporte de R$ 80 milhões, mas desistiu diante das brigas que foram parar nos tribunais. "Fizemos um aporte no Anima porque acreditamos que o grupo tem potencial para crescer, independente dessas questões [brigas com os minoritários]", disse Paulo Guedes, fundador da BR Investimentos. Guedes vai ocupar uma cadeira no conselho, que será presidida por Ozires.

Segundo o Valor apurou, há uma negociação em andamento para que os minoritários deixem a sociedade. A saída desses sócios tornaria a Anima uma empresa sem amarras e melhores condições para crescer. Questionados pela reportagem, Bueno e Guedes informaram que não podem se pronunciar sobre o tema. Renato Valle, um dos minoritários, não retornou até o fechamento da edição.

(Beth Koike | Valor)

 

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