Importando Esperança

Férias: mais uma viagem à vista.

À exceção do medo de avião, tudo parece maravilhoso e a viagem promete.

Mas como não chegar aos Estados Unidos e ao Canadá e mais uma vez não ser tomada pelo sentimento triste de saber que nossas cidades têm tantas oportunidades – ou até mais do que as cidades americanas e canadenses – e deixam de aproveitar isso?

Os fatos que mais me chamaram atenção nessa viagem foram o aproveitamento das áreas portuárias e a revitalização de áreas degradadas. São vários exemplos bem sucedidos. A primeira parada da viagem foi em Montreal, no Canadá. A área antiga de Montreal, mais conhecida como Vieux-Montreal, está localizada justamente à beira da área portuária da cidade. Diante de construções históricas, muito bem cuidadas, nos deparamos com uma área portuária cercada de opções de lazer ao ar livre que atrai não só turistas como moradores.
 
Na cidade de Quebec, há mais um exemplo maravilhoso onde a área portuária está totalmente integrada à cidade. Localizada às margens do Rio São Lourenço, Quebec impressiona por ser simplesmente perfeita e extremamente limpa.

A parte baixa da cidade abriga o porto antigo. De uma forma muito simples, o porto é aproveitado pelos moradores e turistas como uma imensa área de lazer muito agradável. Durante a noite, imagens históricas são projetadas no enorme silo de grãos da empresa Bunge, localizado no porto. Muitos restaurantes bacanas se instalaram por lá.

Deixamos o Canadá e seguimos para NYC. E mais supresas.

Como já conheço bem a cidade, procurei novidades, que, por sinal, nunca faltam.

E o programa que mais me chamou atenção foi a visita ao High Line Park (http://www.thehighline.org/). Por que não importarmos essa ideia para o Rio de Janeiro e para diversas outras cidades do país, que teriam espaços perfeitos para projetos dessa natureza?

Trata-se de uma antiga linha de trem elevada, contruída em 1930 e desativada desde 1980, recentemente transformada em um parque suspenso no meio de Manhattan.

A construção do parque foi dividida em etapas, tendo sido a primeira inaugurada em 2009. Antes mesmo de estar completamente pronto, o High Line já é um sucesso entre os novaiorquinos.

A próxima etapa fica pronta em 2010. No entanto, posso garantir que a primeira etapa já é suficiente para impressionar pela ousadia da ideia e por ser um lugar tão agradável.

Com uma arquitetura “clean”, moderna e, claro, cercada de muito verde, o High Line impressiona com seus jardins tão bem cuidados criados entre os antigos trilhos que ainda continuam por ali. Uma ideia simples, porém genial. Não apenas me impressionou. Meus amigos também acharam fantástico.

Chegamos ao High Line quando o sol estava se pondo e ficamos algum tempo percebendo e imaginando quantas ideias como essas poderiam ser implantadas em cidades como o Rio de Janeiro. Após muitas fotos, este foi o assunto da noite em um restaurante mexicano próximo ao parque.

E eu só pensava na área portuária carioca, berço de muita cultura e história, como o nascimento de Machado de Assis, Revolta da Chibata, construção do primeiro “Arranha-céu” da América Latina, surgimento da primeira favela do Brasil, nascimento das rodas de choro e de samba. Como não explorar toda essa história em benefício do Rio?

Este ano, o cais do Porto do Rio completa 100 anos. Prefiro acreditar que nossos governantes farão dele mais um exemplo de sucesso na revitalização de áreas degradadas como presenciado em tantas outras cidades ao redor no mundo.

A esperança de que nossa cidade venha a ser um destes exemplos só cresce com a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Vamos torcer para que os nossos turistas possam vivenciar a mesma experiência que vivi nessas últimas férias.

Afinal, uma coisa é certa: o investimento de qualidade em lazer e turismo tem retorno garantido.

 

Renata Pozzato Carneiro Monteiro
Diretora Jurídica Apsis Consultoria

 

 

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