Rio Bravo compra participação na T&A

De olho na expansão da construção no Brasil, o fundo Rio Bravo Nordeste II, gerido pela Rio Bravo Investimentos, está aplicando R$ 25 milhões na fábrica cearense de peças pré-fabricadas de concreto T&A. Com o aporte, o fundo de "private equity" passará a ter uma participação minoritária e não divulgada na companhia fundada e presidida por José Almeida.

"O objetivo do fundo foi pegar carona nos principais polos de crescimento da região Nordeste, como os portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará", diz Luiz Medeiros, gestor da Rio Bravo.

Hoje, por exemplo, a T&A fornece pré-moldados para fábricas que estão sendo erguidas ao redor de Suape, como a Impsa, de peças para energia eólica, a PetroquímicaSuape, da Petrobras, e o estaleiro Atlântico Sul, da Camargo Corrêa. O principal foco da T&A são os projetos de grande porte, como fábricas e shoppings center, que são atendidos a partir de fábricas em Fortaleza, Recife e Salvador.

Entretanto, outro fator que motivou o investimento da Rio Bravo foi o fato de o uso de peças pré-moldadas ainda ser pouco expressivo no Brasil. "A construção industrializada tende a crescer no Brasil por causa do alto custo que a mão-de-obra. Fazer concretagem no canteiro de obra está se tornando inviável", afirma Almeida, que tem como sócios outros 15 familiares. Neste ano, a T&A deve faturar R$ 170 milhões.

Apesar de o foco do fundo ser a região Nordeste, a T&A começa a ultrapassar essa fronteira e ganhar dimensões nacionais. Em agosto, Almeida inaugurou uma fábrica em Itu, no interior de São Paulo, para atender clientes da região Sudeste. Parte dos recursos aportados pelo fundo, que terá um assento no conselho de administração da companhia, vai ser usada para modernizar essa unidade, o que fará a capacidade de concretagem total da T&A passar dos atuais 12,5 mil metros cúbicos por mês para 18 mil metros cúbicos.

A ideia de se instalar em São Paulo, explica Almeida, surgiu da constatação de que alguns compradores da T&A tinham atuação nacional, como a rede de supermercados Walmart e a Petrobras. "Para crescer, precisamos estar no principal mercado do país", diz o executivo. Para a Rio Bravo, a nova fábrica também pode fazer com a que a sua investida se transforme na maior empresa do setor, posição hoje ocupada pela Cassol, que processa 20 mil metros cúbicos de concreto por mês e também tem um braço de varejo de materiais de construção.

Esse é o terceiro investimento feito pelo Nordeste II, lançado com R$ 132 milhões. O fundo possui participações na Perenne, fabricante baiana de peças para a indústria de saneamento, e na indústria de alimentos potiguar Multdia. Outros dois aportes ainda devem ser feitos pelo fundo.

(Carolina Mandl | Valor)

 

 

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