IFRS 18: Qual é o impacto na avaliação de empresas?

IFRS 18

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O IFRS 18 não altera o valor intrínseco das empresas. Mas pode fazer você errar feio na leitura dos números. E isso, na prática, muda decisões. 

A nova norma substitui o IAS 1 e traz uma mudança estrutural relevante na forma como as demonstrações financeiras são apresentadas. Não se trata de reconhecimento ou mensuração. Trata-se de algo mais sutil e, ao mesmo tempo, mais perigoso: como o desempenho é organizado, classificado e interpretado. 

Para que serve o IFRS 18? 

Historicamente, havia ampla discricionariedade na demonstração do resultado. Empresas classificavam receitas, despesas, juros e outros efeitos de forma distinta, muitas vezes dificultando comparabilidade e, em alguns casos, distorcendo a leitura operacional. E o IFRS 18 corrige isso. 

Ele passa a exigir uma estrutura mais padronizada, com separação clara entre atividades operacionais, de investimento e de financiamento. Além disso, introduz subtotais obrigatórios, como o lucro operacional, reduzindo a flexibilidade na construção de métricas intermediárias. 

Na prática, isso significa uma coisa simples: menos liberdade para “ajustar” a narrativa e mais responsabilidade na interpretação. 

Outro ponto central está nas chamadas métricas gerenciais, as chamadas MPMs. Indicadores como EBITDA ajustado, lucro recorrente ou resultados normalizados continuam existindo, mas agora precisam ser reconciliados de forma transparente com os números reportados sob IFRS. Como resultado, isso eleva o nível de disciplina e reduz significativamente o espaço para interpretações excessivamente otimistas. 

Essa exigência de reconciliação de MPM é um dos primeiros pontos em que o impacto do IFRS 18 na avaliação de empresas se torna concreto: sem reconciliação clara, o EBITDA ajustado IFRS 18 usado em um modelo de valuation perde parte da sua credibilidade técnica. 

Impacto do IFRS 18 

Até aqui, parece apenas uma melhoria de disclosure. Mas para quem trabalha com valuation, o impacto é bem mais profundo. Os modelos de fluxo de caixa passam a partir de uma base mais consistente, a necessidade de reclassificação de itens diminui, a comparabilidade entre empresas melhora, os múltiplos se tornam mais confiáveis e o risco de inflar EBITDA ou distorcer margens operacionais reduz. 

Mas existe um ponto crítico que ainda está sendo subestimado: a transição para essa norma. 

A adoção do IFRS 18 exige reapresentação de informações comparativas, revisão de séries históricas e, principalmente, julgamento técnico na interpretação das novas classificações. E é exatamente aqui que começam os problemas reais. 

Na prática, temos visto muitos casos de: 

  1. Quebras de comparabilidade entre períodos; 
  1. Inconsistências na definição de resultado operacional; 
  1. Dificuldades na reconciliação de métricas utilizadas em modelos financeiros; 
  1. Impactos indiretos em testes de impairment, especialmente à luz do CPC 01; 
  1. Fragilidades em laudos utilizados para fins societários e fiscais. 

Isso reforça um ponto central: o impairment IFRS 18 e a reconciliação de MPM têm efeito direto sobre a robustez de qualquer laudo de avaliação IFRS 18. 

Ou seja, o risco deixou de estar no número em si e passou a estar na forma como ele é interpretado. As consequências disso são diretas, visto que Valuations podem ser tecnicamente corretos no modelo, mas conceitualmente equivocados na base. É nesse contexto que a atuação de um avaliador independente ganha outra dimensão. 

Nesse ponto, não se trata apenas de construir modelos ou validar premissas. Trata-se de garantir que a informação financeira esteja corretamente interpretada, ajustada e alinhada com a realidade econômica do negócio e com as exigências regulatórias. 

Um avaliador experiente atua como ponte entre contabilidade e finanças, reorganiza séries históricas, normaliza resultados, identifica distorções relevantes e assegura que o fluxo de caixa projetado represente, de fato, a capacidade econômica da empresa. 

Em processos mais sensíveis, como testes de impairment, alocações de preço de compra ou estruturas com impacto fiscal, essa atuação deixa de ser desejável e passa a ser essencial porque ela reduz risco de questionamento por auditoria, aumenta a robustez técnica dos laudos e fortalece a credibilidade das conclusões perante investidores, reguladores e demais stakeholders. 

Por que o impacto do IFRS 18 na avaliação de empresas exige atenção redobrada

Para quem constrói ou revisa laudos técnicos, o impacto do IFRS 18 na avaliação de empresas não é uma questão teórica: ele aparece na reconciliação de MPM, na definição de EBITDA ajustado IFRS 18 e na consistência dos testes de impairment IFRS 18. Ignorar essa camada de análise significa correr o risco de produzir um laudo de avaliação IFRS 18 tecnicamente correto no modelo, mas desalinhado com a nova realidade contábil. 

Conclusão 

No final do dia, o IFRS 18 não muda o valor das empresas, porém ele muda quem consegue explicá-lo com consistência. Isso tem sido visto na prática através das inconsistências relevantes na adaptação à nova norma. 

Em resumo, entender o impacto do IFRS 18 na avaliação de empresas deixou de ser opcional para quem constrói, audita ou depende de um laudo de avaliação IFRS 18. 

Se esse tema já começou a aparecer nas suas análises, modelos ou discussões com auditoria, vale a troca. 

Precisa de ajuda para isso? Entre em contato com a Apsis e fale com um de nossos especialistas no assunto. 

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