EMS planeja nova fábrica para 2011

Depois de ter suas vendas turbinadas a partir do fim deste primeiro semestre com as versões genéricas e similares de dois importantes medicamentos que tiveram suas patentes expiradas – Viagra e Lipitor, ambos da Pfizer -, o laboratório nacional EMS, o maior do país, deverá erguer sua terceira fábrica no Brasil a partir de 2011. O local e o valor que será injetado nessa futura unidade serão definidos até o fim do ano, mas esses aportes já estão incluídos nos cerca de R$ 500 milhões que a empresa pretende investir no ano que vem no país.

Ao Valor, Waldir Eschberger Jr., vice-presidente de mercado da companhia, disse que essa terceira unidade será voltada para desenvolver medicamentos para tratamento de doenças respiratórias, como parte de acordos fechados de transferência de tecnologia entre a EMS e os governos de Cuba e da China. "Será uma fábrica dedicada para esses medicamentos e deverá atender aos mercados interno e externo."

Com uma postura agressiva nos últimos meses nos segmentos de genéricos e similares, a estratégia da EMS este ano concentrou-se em avançar sobre os medicamentos "blockbusters" (campeões de vendas) de multinacionais líderes no mercado. "Brigar com gente pequena não tem graça", brinca o executivo.

A meta da EMS é abocanhar uma fatia de R$ 1,6 bilhão, estimada com o fim da patente de importantes medicamentos entre este ano e 2011. Desde o fim de junho, o laboratório recebeu aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para comercializar as versões genéricas e similares do Viagra, que combate disfunção erétil. E desde agosto, vende o genérico do Lipitor, que trata colesterol elevado. A partir do próximo dia 15 começa a distribuir o similar desse remédio, com a marca Lipisat.

Agora, o plano do laboratório nacional é colocar no mercado o valsartana (combate hipertensão), da Novartis, que negocia o produto com a marca Diovan, e Seroquel (esquizofrenia), da Astrazeneca. Outros dois novos medicamentos genéricos e similares deverão ser lançados a partir de 2011, segundo Eschberger Jr.

As decisões tomadas neste ano estão dentro da meta traçada pela companhia no fim do ano passado. Entre janeiro e julho, a EMS registrou receita de R$ 1,8 bilhão, crescimento de 35% em relação ao mesmo período do ano passado. No mesmo período, a companhia vendeu 128 milhões de unidades (caixas de remédios), o que representa uma expansão de 26% em relação ao ano passado. A expectativa da farmacêutica é elevar o faturamento em 30% este ano, na comparação com 2009, que ficou em R$ 2,45 bilhões.

As unidades de Hortolândia (SP) e São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, receberam aportes, com aquisição de novas máquinas, permitindo elevar de 30 milhões para 40 milhões de unidades/mês a partir deste mês a produção de medicamentos.

Embora tenha o foco ajustado para genéricos e similares, a empresa também quer avançar no segmento de medicamentos com prescrição médica. A farmacêutica decidiu reforçar sua área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), com a contratação do executivo Tobias Henzel para assumir o cargo de diretor dessa divisão na empresa. O executivo, egresso da Sandoz, braço de genéricos da suíça Novartis, chega com a missão de liderar uma equipe de 200 pesquisadores, fortalecer a política de inovação da companhia, coordenar o desenvolvimento de novos medicamentos e garantir a manutenção do maior portfólio de produtos farmacêuticos do Brasil.

Com o mercado inflacionado por conta do interesse das multinacionais em comprar laboratórios do país, Eschberger afirmou que a empresa está de olho em aquisições, mas não tem urgência. "Os preços dos ativos estão muito caros", disse. Os planos de internacionalização também continuam no radar da companhia, mas seguem um ritmo mais lento, considerando que o mercado interno para a farmacêutica este ano foi o principal alvo. "Em 2011 teremos grandes novidades."

(Mônica Scaramuzzo | Valor)

 

 

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