Muitas empresas ainda enxergam o inventário físico apenas como uma obrigação contábil ou um simples levantamento de ativos. No entanto, um inventário bem executado pode ser um dos maiores aliados na busca por bons resultados na Base de Remuneração Regulatória (BRR), evitando glosas e, consequentemente, maximizando a receita regulatória.
O que é a BRR?
A Base de Remuneração Regulatória (BRR) representa o valor dos ativos utilizados por distribuidoras e transmissoras de energia elétrica na prestação do serviço público. Em outras palavras, a BRR corresponde ao patrimônio regulatório da empresa, composto por ativos como subestações, redes, cabos, transformadores e demais equipamentos essenciais para garantir a continuidade e a qualidade do fornecimento de energia elétrica.
Durante os processos de Revisão Tarifária Periódica (RTP), a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) avalia a composição dessa base, verificando se os ativos que a integram foram efetivamente utilizados na prestação do serviço e se os investimentos realizados ocorreram de forma eficiente e prudente.
Essa análise é fundamental para o reconhecimento dos ativos na BRR e, consequentemente, para a definição da remuneração que será incorporada às tarifas pagas pelos consumidores.
Por que a BRR é tão importante?
A BRR é um dos principais elementos considerados no cálculo da receita permitida das empresas de transmissão e distribuição. Ela impacta diretamente a remuneração dos investimentos, a recomposição de custos operacionais e a definição da Parcela B da tarifa de energia.
Ter uma BRR bem estruturada significa mais segurança nos processos de revisão tarifária e uma representação mais justa dos ativos que a empresa efetivamente utiliza para prestar o serviço.
O papel estratégico do inventário patrimonial
Um inventário físico bem-feito garante que a base física a ser elaborada reflita fielmente as características técnicas dos ativos.
Isso inclui as dimensões corretas de obras civis, os dados técnicos de máquinas e equipamentos, o registro fotográfico adequado e a conformidade com as exigências regulatórias da Aneel.
O inventário deixa de ser apenas um levantamento físico e passa a ser uma ferramenta estratégica para a sustentabilidade financeira da empresa.
Principais problemas de inventários mal feitos
Alguns dos principais problemas encontrados em inventários mal conduzidos incluem:
- Fotos ilegíveis
- Falta de informações técnicas essenciais
- Erros de codificação na elaboração da base física
- Erros nas medições de obras civis
- Falta de olhar crítico por parte da equipe de campo
Esses problemas podem gerar distorções significativas nos valores da BRR e resultar em glosas no processo de revisão tarifária.
Benefícios de um inventário bem estruturado
Entre os principais benefícios de um inventário bem feito estão:
- Maior confiabilidade nos resultados da BRR
- Mais segurança durante os processos de RTP
- Melhor planejamento dos investimentos futuros
- Transparência e rastreabilidade dos ativos
Case real: Como um inventário detalhado evitou glosas e otimizou a BRR
Durante um inventário físico realizado para a definição da BRR, a Apsis acompanhou o trabalho de campo junto com o técnico da equipe por uma semana. Em algumas subestações, observamos que as bases civis e os taludes eram reforçados, devido à localização em áreas alagadas. Essa condição elevava consideravelmente o custo da construção civil.
Essas observações foram decisivas. No momento de elaboração da BRR, a equipe responsável pela avaliação civil identificou uma grande distorção de valores. Em uma das subestações, por exemplo, o custo de obra imobilizado na contabilidade era de cerca de seis milhões de reais, enquanto a avaliação realizada com base nas informações levantadas em campo apontava um valor de um milhão e meio.
Graças às observações detalhadas feitas durante o inventário, foi possível solicitar projetos de engenharia para justificar os reforços estruturais existentes, garantindo que os custos fossem reconhecidos de forma adequada.
Esse caso ilustra como um inventário detalhado e criterioso pode ser decisivo para garantir que todos os investimentos estejam refletidos de forma justa na BRR, protegendo a empresa de perdas financeiras.
Conclusão
O inventário patrimonial não é apenas um número no balanço. Ele é, antes de tudo, uma ferramenta estratégica para a sustentabilidade financeira das concessionárias de energia. Investir em inventário físico de qualidade não é custo: é uma estratégia de proteção e valorização da receita regulatória. Aqui na Apsis nós podemos te ajudar! Fale conosco e conte com a nossa expertise para o resultado da sua empresa!








